sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Insatisfação do Desfecho

Meus pés não sabem pra onde vão.
Minhas pernas tremem.
Sinto um frio na barriga.
Um embrulho no estômago.
As mãos começam a suar.
Os braços se cruzam para fingir lucidez.

Embriagado pelo perfume
que atinge minhas narinas,
tento ver além com meus olhos
e deixar de ouvir com meus ouvidos.
Lábios que tentam balbuciar sílabas,
em vão.

Minha mente briga com minha imaginação.
Tudo reaparece de repente,
quando o que eu mais queria era apagar.
Um calor enfurecido
aquece o meu peito.
E eu, sem saber o que fazer.

Meu coração nunca entende os finais.
Douglas Funny

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Dança

Lá está ela
Tão única, tão bela
Sobre um palco infiel
Elevada até o sétimo céu
A vista de deuses sem poder
Um público que não se cansa de ver

A alma toca
Cada tom, cada nota
E o corpo explora, de dentro para fora,
o sentido onipresente de qualquer hora
A felicidade que contagia
Que uma simples dança propicia

Música vivida
Tom, nota, batida
Sentimento de cada passo
Não importa ritmo ou compasso
É som metamorfoseado
Cada pessoa entende ao seu agrado

Um dia você apenas se cansa de ver
Percebe a diferença entre ter e viver.
E dançar.


Douglas Funny

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Erro

Há palavras que tocamos
Por outras somos tocados
Têm aquelas que fogem, pra bem longe
E aquelas que você espera chegar
Umas confortam, arrancam sorrisos
Mas algumas machucam e te fazem chorar
Letras que nomeiam, você, eu, objeto, coisa
Tão coisa que rouba a cena
A coisa é assim porque foi chamada,
Deixaria de ser o que é por outra palavra

Resumir o que sentiu numa só linha
É pedir demais
Nem sabe o que é sentir
Talvez essa palavra descreva melhor
Ou quem sabe essa
Ou outra qualquer.

Usamos por medo, de não saber o que dizer
Receio de não contar aos netos como um monte de letras fascina
Para os ouvidos dos amigos
Pelos olhos da amada
Estampadas no focinho do seu cão
Não se sabe como, mas alguém entende.

Palavras que vêm e vão
De que tanto precisamos
Sujeitas ou não, a transitividade não importa
Seja passado, presente ou futuro
Aqueles que tentaram nos trouxeram até onde estamos
E se um dia tudo esteve certo
Cada palavra com seu significado
Agora estou disposto a errar.
Afinal, palavras são apenas palavras.


Douglas Funny

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sinta

A vida se abre
Em fortes cores
Largos sorrisos
Alegria celeste
Sonhos que toco com as mãos
Não dormem no travesseiro
Não fogem de mim.

Fica e brilha
No meu olhar
De criança, de adulto
Coração, razão
Sentimento, mente
Que se perde, divaga.

Pisa no chão
Apega-se ao concreto
Faça, não pense
Diga, não guarde
Escreva. Liberdade

Que as lagrimas lavem a alma
E molhem o papel
Que os risos abracem seu corpo
E movam a caneta
Eleve o espírito
Deixe-se levar autor.


Douglas Funny

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Água do Céu

A chuva não cessa
Não pára de cair
De cima a baixo
Sem mudar a trajetória
Mesmo o vento que empurra
Não tem poder de parar
Pois ela quer chegar
Cada gota no seu lugar

O céu cinza
Anuncia uma tristeza
E a água cai
Molha e lava
Renova corpo e alma
E descubro que a natureza me enganou
Ou me engano esperando
Que o céu azul seja prospero

As lágrimas limpam
Tentam espantar a dor
Se esse é o choro do céu
São lágrimas de anjos
E choram de alegria
Pois não me machucam
Purificam-me
Chuva que toca


Douglas Funny

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Poesia com Açúcar

Batuco no violão
Dou risada de um filme triste
Coloco pilha no meu pão
E com groselha faço sanduíche
Tem cachimbo para o cão
Para o gato sobra alpiste
Com muita neve no verão
No inverno, frio não existe
Mas se têm pássaros no chão
Qualquer peixe no céu sobrevive
E quando lua faz clarão
Morto, em filme de terror, vive

Hoje até bispo passa a mão
Ladrão vira cacique
Quem déra pobre acordar de roupão
E rico comprar na butique
Assim todos saberiam o que é ter mansão
Com filho na escola e a esposa no iate
Quem despreza moraria no barracão
Com a mão calejada e a barriga que late

Fácil é rimar com “ão”
Difícil é terminar no e...
Já viu começo sem continuação?
Acredita que cego não vê?


Douglas Funny

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Andamento

Espaço sem fôlego,
com o relógio sobre as costas.
O tempo me atropela.
Perco-me nos meus próprios passos,
mesmo seguindo passo a passo.
E se tropeço,
perco as baladas e badaladas do pêndulo.
Ordem, padrão e perfeita,
do ponteiro ditador.

O descontrole dos minutos me torna obsoleto.
Quando me desgarro das horas, viro efêmero.
E se cesso, deixo de existir.

Às vezes temo te encontrar.
Se te abraço, paro.
E sei que não vou mais voltar.

Douglas Funny