Escrevo pra lembrar
de coisas que você não esquece.
Acordo cedo
para te acordar mais tarde.
Arrumo agora
o que deixa para depois.
Faço drama
onde você não vê nada demais,
e não tem nada demais.
Mas rimos do nada também
e isso fazemos bem.
Se não conheço ninguém
você acha que todos se conhecem.
Penso para um amanhã
aquilo que fez ontem.
E, nessas horas,
Sua impaciência cobra ação
da minha paciência.
Porém, se estamos lentos,
a moleza criamos juntos,
daí a preguiça se estende
em um filme,
em uma ou duas horas mais de sono.
Faço planos,
você tem impulsos.
e tudo se resolve
como tinha que ser.
Está bem, nem sempre é assim.
Sempre complico mais
e você nem se cansa.
Dos meus medos,
Você faz coragem.
Mas, no fim, eu acredito
e você adora.
Somos nós
e neles as nossas vidas se amarram.
Douglas Funny
Se te pego num abraço
Descompasso
E me deito no seu colo
Entrelaço
Meus olhos se fecham
Diante do seu carinho
Ao lado do seu riso
Embalo-me nos seus sonhos
Na rede dos seus braços
E deixo o vento da sua boca me levar
Num instante,
O sopro cessa
E ganho da fonte os melhores desejos
Peço para não secar
Laça com o olhar
Amarra à crença do simples
E melhor não pode ficar
Da sua alegria
Brota a nostalgia
De sempre querer brincar
Nessa vida a toa desse bem-estar
Da preguiça que disfarça
A vontade de ficar
E de mais um pouco
Além do tempo
Sem levantar
Quem vê não enxerga
Que esse nada
Os detalhes bobos de um romance
São românticos e bobos
Como devem ser
E deixe estar.
Douglas Funny
Já me fiz de difícil para escrever um verso seu
Não sabia como começar
Sabia que não queria acabar
Mal sabia como iria ficar
E ficando eu já não sabia mais
Confundia verde com mel
Uma amiga, uma ficante
Um caso sério quebrado pelas risadas
Dois inamoráveis pelo tempo
E eu, como sempre,
só queria acertar.
Dessa vez,
desacertando acertei
Acertei em ter saudades
quando sua mensagem chegou
Acertei em desistir
dos medos que me prendi
Acertei em mim
ao te conhecer.
Vejo desenhos em você,
o fascínio do seu olhar
Tenho o melhor sorriso que posso ganhar
Emaranhados nos mesmos cabelos
Amarrados na mesma alegria
Faço meu dia quando te vejo,
me desfaço na sua boca
e refaço o que só nós temos.
Falar de amor é bobagem
É rótulo do desconhecido
Clichê dos certos
Mas só dessa vez,
como se diz no seu jeito,
gosto muito de você.
Por outras vezes,
te digo
te amo.
Douglas Funny
Em um começo já iniciado,
sabia sem saber,
que o amor era o bastante.
Apaixonadamente suficiente.
Felicidade fiel.
E tudo o que eu queria,
ela desejava.
Em um depois sem fim,
sem saber já sabia,
que o amor não bastava.
Insuficiente passional.
Felicidade Infiel.
E tudo o que eu não queria,
era que ela desejasse.
Dos sonhos reais,
uma realidade de olhos abertos.
Da minha infância
ficou o sorriso.
E quando o amor me descobre,
o mesmo sorriso cobre
aquilo que sempre soube.
O que mais queria era o desejo de tudo.
Douglas Funny
Gosto de você agora
Não antes
Nem adiante
Agora.
Cedo pra falar do que vem
e tarde pra dizer o que já foi.
Vamos ficar no hoje
Sem se lembrar do ontem,
sem pensar no amanhã,
que tanto preocupam.
Desmemorize nossas histórias.
Escrevemo-las para quem quiser ler.
O que fizemos ou deixamos de fazer
não importa.
Seja leite ou água,
Derramado, passadas
Não choremos mais.
Esqueça o “felizes para sempre”.
Deixamos de viver aqui
tudo que é possível viver lá na frente
Criamos a espera
daquilo que nem sabemos o que é
sonhamos e não fazemos,
fazemos depois,
se fizermos.
Tenha em mente o que vê,
o que é capaz de ser.
Sinta o presente,
se faça presente
e ganhe o presente da vida.
Aprenda a gostar do que tem
aqui e agora.
Sem prazo.
Curto ou longo
só o café que te mantém acordado.
Realizando.
Mudando.
Moldando.
Goste de nós hoje,
pois não somos
e nem seremos
os mesmos.
Douglas Funny
Um breve momento,
antes de mergulhar na selva de concreto,
permito-me um respiro do trânsito
um último olhar para cima
para o céu que queria levar comigo
por não ser o mesmo de onde vivo.
O carro estacionado a beira da estrada
Todas as luzes apagadas
Encostado na natureza adormecida
Sussurrando para mim
Ali, deitado sobre o capo
Pesco estrelas,
uma maior que a outra,
uma mais brilhante que a outra.
Que não cabem no meu porta-malas,
são apenas minhas passageiras.
Em meio à escuridão,
escondido na noite,
observo as luzes brincando
e aguardo sonhos cadentes.
Sem fim me vejo assim,
delírios na imensidão
que não me esforço pra tocar
e sinto como se estivessem dentro de mim.
Elas vivem na selva,
escondidas na noite
a me observar.
Estrelas passageiras
que me beijam ao cair da noite
Ao cair o sono
Ao adormecer, toco-as novamente.
Douglas Funny
O barco rasgava o véu do mar
que se disfarçava de rio
Fortes ventos me abraçaram
Ventos que empurraram o sol mais pra lá
e trouxeram as nuvens para cá,
pintaram o céu de cinza
e escureceram a água,
em um sopro só
Mudavam de direção a cada curva,
carregavam-me junto.
Ali na proa, deitei
e criei o meu sem fim
Fitas coloridas,
presas as cordas do mastro,
eram as minhas estrelas de um céu nublado
daquela quase noite
Eram sacudidas pelos ventos
que cantavam para mim
músicas de um destino à deriva.
O céu se desfez em degradê,
o espelho do mar se perdeu
As luzes já não eram de Marujá
A brisa levou os pescadores,
mas os ventos nunca me deixaram
E assim, ao acaso,
faço e me desfaço por aí.
Douglas Funny