quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desses dias

Dos dias que te vi
Dos dias que te toquei
Dos dias que te beijei
Dos dias que tomamos café juntos
almoçamos juntos
e jantamos mais juntos
Dos dias que eu reclamava das panquecas
e você do meu arroz
Dos dias que tomamos chuva
e sonhávamos com um carro
Dos dias que você riu das minhas piadas
por pior que elas fossem
Dos dias que te tirei do sério
Dos dias que brigamos
os mesmos que nos reconciliamos
e os mesmos que brigamos de novo
Dos dias que dormi na sala
Dos dias que dormiu na casa dos pais
Dos dias que eu tinha que ver seus pais
Dos dias que eu te ligava
e deixava você acabar com meus créditos
Dos dias que eu falava do tempo
e você da sua roupa
Dos dias sem palavras
Dos dias da dança
Dos dias do barzinho
Dos dias dos estudos
Dos dias chatos do trabalho
Dos dias dos filmes
e dos filmes de nossos dias
Dos dias da sua Coca-Cola
Dos dias da minha cerveja
Dos dias em preto e branco
Dos dias coloridos
Dos dias que a Tv não ligava
Dos dias que você não ligava
Dos dias que eu desligava
Dos dias que eu prestava atenção
Ou te emprestava
Ou não prestava pra nada

Dos dias demorados sem você
e dos breves ao seu lado
Dos dias que queria estar longe
Dos minutos suficientes
Das horas sofridas
Do dia-a-dia
De desejos e incertezas
Da certeza de um desejo
Dos dias que te amei
e que me amou também

Dos dias que abri os olhos pra te ver
Dos dias que fecho os olhos pra te ter.

Douglas Funny

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Profundo Amor

Busco a liberdade
me prendendo a correntes.
Um coração amordaçado,
mas sem deixar de amar.

Preso a superfície,
não consigo mergulhar.
Sinto a maresia
e algo a me puxar.
Não atinjo o fundo do mar do amor,
Pois um coração aprendeu a nadar.
Sente o frio dos ventos
e perde o calor do mar.

Na confusão de sentimentos,
A imagem do pôr-do-sol
perde-se no horizonte da alma.
O céu vira mar,
o mar vira céu,
paixões sem perder o ar,
o amor não se deixa levar.

A deriva,
uma correnteza pode me pegar.
A praia não vou encontrar,
no raso também não posso viver.
As ondas das emoções não cessam,
mas tempestade também não há.

De cima, posso ver mais.
Para se arriscar nas profundezas
é preciso me entregar,
deixar de bater os braços
e de uma única direção.

Egoísmo que me faz respirar.
Se o amor quer me abraçar,
que o fundo do mar venha me buscar.
Sei que uma hora vou cansar,
mas quero descobrir
o quanto consegue prender o ar.

Douglas Funny

terça-feira, 9 de junho de 2009

Palavras não ditas

Eu sei que já ouvi,
mas não me canso de você
e de suas histórias repetidas.
Basta começar, para saber como terminará.
Gestos gravados,
frases que já viraram jargões.
Textos mais que decorados,
porém me perco se precisar contá-los.
A sua voz faz a diferença.
Palavras ditas,
cantadas para mim.
Soam como versos,
notas em perfeita harmonia.
Prendem meus olhos
e elevam minha alma.

E você fica tão brava quando me vê assim.
Sabe que eu já não estou mais lá,
fora a escutar.
Sei de muito mais, mesmo que não tenha dito.
Mas me deixei levar por você.

Sei como começa e termina.
No meio eu me perco em você.

Douglas Funny

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Quis assim

Eu pedi um mundo imperfeito
para que as coisas dessem errado.
Nem tudo,
pois vivo dos meus acertos.
Foi apenas uma forma de obstrução,
pedras no meu chão,
para que eu pudesse superá-la.
E lá estaria meu final feliz.
Mas meu filme não tem duas horas,
muito menos um "Feliz para sempre".
O eterno não existe no mundo que criei.

Pois bem, é imperfeito e pronto.
Entre erros e acertos,
vou me virar.
Inventei o meu mundo assim,
cheio de furos e remendos,
pelo jeito ele também não quer parar.

Espere aí.
Se nada é eterno no meu mundo,
por que procuro o meu amor?
Este era pra vida toda
e uma vida toda não existe.
Mais finais pra essa história,
não quero ver quando tiver que escolher.

Tanta vida pra viver
e eu fui inventar de escrever roteiros.

Douglas Funny

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Tenho

Tenho você
E você me tem
Não como posse
Tenho você do meu jeito
E você me tem do seu jeitinho
Sem delimitar, impedir ou prender
Mas eu te tenho
E você me tem.

Quantos outros querem ter alguém
Eu te tenho aqui
Do meu lado, próximo
Só não lhe digo que te tenho
Posso cortar suas asas
Você pode se sentir menos livre
E quando voa tudo fica mais belo
Vejo-te ir tão longe
Mesmo segurando sua mão
Vou junto e você nunca diz não.

Tenho muitas coisas
E algumas me têm
Não assim
Você não é coisa
E isso não é coisa que se diga
Também não digo que te tenho
Porém, acho você já sabe
Tenho você
E você me tem.

Douglas Funny

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vendem-se Formas de Pensar

Engraçado imaginar
Eu compro formas de pensar
Chega de conhecimento, status ou capital
Produto então,
Idade da pedra total
O poder de aquisição vai além
Adquiro inteligências
Afinal, se preciso escolher
Quero me entreter
E propagar
Sem saber ou entender
Conectado e muito bem filtrado
Infiltrado
Não quero fazer parte
Deixo a interatividade
Desejo ser
Sou o começo e o fim
O meio e a mensagem
E ainda faço girar
Tudo e mais um pouco
Tenho poder e posso aguentar.

Engraçado imaginar
Eu compro formas de pensar.

Douglas Funny

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fins

Vou esperar para escrever a próxima linha
Após uma, vem a outra
Desenfreadas
Porém, vou aguardar
Afinal, faz parte do instinto humano
Esperar até o último suspiro
Para enfim, não finalizar
Dar fôlego para mais suspiros.

Mudar é totalmente compreensível
Mas requer sacrifícios
Como se levantar da acomodação
E isso só acontece pertinho do incomodo
Aquele de mudar
Quando não tem outro jeito
Não se mexe no que já está bom
E o bom estável é melhor que o bom em movimento.

O que não se modifica, parece eterno
Cálice sagrado, uma busca sem fim
Ninguém quer ver o ponto final
Essa que é a verdade
Medo dos pontos que costuram
E formam outra coisa
Que fiquemos sem términos
Sem começos.

Se escrever a próxima linha
Terei início
Mas se estagnar
Mente aberta para quem ler
Terá que criar, continuar e ainda por um fim
E se a poesia acabar
Não haverão outras linhas
Melhor mudar
Queremos outros começos.

Douglas Funny