O amor obsessivoé um querer calado.Um suspiro aflito,desejo engolido,uma dor que não se sente.A vontade de ternega suas outras vontades,que se tornam imperceptíveis.Já escolhido o que é bom sentire nada mais.A flecha do cúpido me acertou,mas não ficou.Foi um tiro no peito que resvalou.Por tempos a venda da injusta paixão me cegoue por momentos me cobriu,como um manto acolhedor.De hoje em diante quero sentir frio,que me abrace aquela que não quer atirar em mime que beije meu coração abalado,pois de ricochetes ele não vive mais.Carrego na frente do peitoa felicidade que me protege.Pendurada pelo pescoçocom o balançar de um pêndulo.Lembrando-me das horas contadasde uma harmonia inquestionávelimposta pelo meu ego.Porém, alertando-meque o meu sorriso mais puropode estar mais perto do que pensei.De peito abertoa felicidade me carrega.Imprudente como deve ser.Cuidando do meu bem-querer.Douglas Funny
Lua que iluminaClareia meu espíritoTraga a beleza da noiteRevele o que a escuridão esconde.Levante-se no céuBanhe-se com olharesMeus sonhos distantesDão-te vida.Meu coração buscaA esperança que você abrigaA harmonia que carregaA melodia que toca.Não se deite sem me dizer adeusSem teu abraço de confiançaA luz que me inspiraFace sincera que me ergue.Lua de fasesInconstantes, verdadeirasPeça ao céu para me presentear com estrelasPois de ti só quero o acaso.Douglas Funny
Entre linhas cortadas,procuro o seu olhar.Transformo palavrasque se dizem poéticasem estrofes sem rimas.Poesias sem escudo.Devaneios do peito,não da cabeça.Cada ponto final me engana,pois a última letra não pontua minha esperança.É apenas mais um começo de parágrafo,mais uma história a ser vivida.E, então, escrevo para uma alma ainda ausente,que me espera em algum título adiante.No próximo passo,Depois da vírgula seguinte.Escrevo errado em linhas tortas.Muitos pontos de interrogação,poucos de exclamação.O futuro é feito de dúvidas,o passado de certezase o que fica é o presente.O único que posso dar a ti.A essência é o que fica, independente do que virá.O medo já não faz parte de mim,assino com letra maiúscula.Quero caminhar, mesmo que às cegas.E que o mundo se ofereça a mim.A minha vida não tem rótulo e pode mudar.O meu coração não tem validade estampada,então deve viver.Douglas Funny
A beleza nasce forae me incorpora.Apega-se.Eu me apego.Laço que prende.Nó que não desata.Tempo que cria.O problema de quem nunca teveé o de ter.Querer vira posse.E o poder vira fim.Final estagnado.Sem futuro.Tempo que apaga.Busca abrigo em si.Descobre que verdades são mentiras.O medo se desafia.Encontra o que perdeu.Resgata das cinzas o brilhoque a fonte cobriu, mas não matou.Tempo que renasce.Douglas Funny
Quem é você que me cumprimenta com um sorriso?Que me diz "bom dia" numa terça-feira chuvosa.Quem é você que distribui simpatia dentro do elevador amarrotado?Que pergunta em que andar vamos descer.Quem é você que pega a latinha que joguei no chão e coloca na sexta do lixo?Que não xinga, reclama ou critica.Quem é você que tenta arrancar um sorriso para melhorar o dia de alguém?Que se vestiria de palhaço ou transformaria a mesa de trabalho em um palco.Quem é você que ajuda um desconhecido de muletas a subir uma escada?Que guia uma pessoa que não sabe para onde ir.Quem é você que devolve a bola depois que chutaram na sua janela?Que só diz "cuidado para não se machucarem".Quem é você que acolhe que chora de tristeza e vibra com que chora de alegria?Que não sente sozinho. Apenas sente.Quem você é não importa.O que todos somos agora, sim.
Douglas Funny
Perdi-me em mim.Tantos pensamentos,visões, delírios, premonições,lembranças.E o passado sonha? Não.Mas fica e se apega.Às vezes ele senteou faz sentir.Aquilo que foi irreal,pode se perder como mera brincadeira infantil,mas também pode se prendere fingir que tem vida.Já o real não se faz personagem,apenas é.Primeiro é preciso ser, para depois viver.Nas entrelinhas,queremos um final de novela.O sonho se realiza para os mocinhos,fracassa para os vilões.Termina pela mão do destinoou pela caneta do roterista.Perdi-me entre verdades e mentiras,entre sonhos e desilusões,entre real e o irreal.E quando a imaginação brincou comigo,mente e coração se confundiram.O sonho se fez personagem,o real ficou mágicoe meu corpo, lúcido, flutuou.Mas meu olhar de criança não brilhou mais.O jogo terminou,aquele tempo paroue o sonho acabou.Perdeu-se de mim.Vou por a culpa no destino.E ao seu acaso.Afinal a música não toca mais.Porém, Sr. Destino, venho lhe pedir.Se sou apenas um fantoche na sua orquestra,um instrumento da imaginação.Caso a minha melodia já esteja no papel,deixe que eu escreva a letra.Douglas Funny
Meu coração não é o mesmoJá encontrou estrelasJá beijou o chãoAmarrado, amadoPartido, dilaceradoHoras estava, outras nãoPercorreu labirintos,hesitou no retoQuis o inalcançávele não soube olhar para o ladoNegou-se a ouvir seus próprios batimentosPulsou por alguémCujas batidas também não escutavaAprendeu a viver sozinhoQuando só não podiaAlgumas vezes se dividiuOutras se cegouNão sabia o que queria.Nunca disse que errouCaso tenha chorado guardou para siSabe que tudo que buscouO sofrimento que passouValeu a penaNão pela dor,mas por poder amar.Douglas Funny