quarta-feira, 26 de março de 2008

A desaposse do anseio

O amor obsessivo
é um querer calado.
Um suspiro aflito,
desejo engolido,
uma dor que não se sente.

A vontade de ter
nega suas outras vontades,
que se tornam imperceptíveis.
Já escolhido o que é bom sentir
e nada mais.

A flecha do cúpido me acertou,
mas não ficou.
Foi um tiro no peito que resvalou.
Por tempos a venda da injusta paixão me cegou
e por momentos me cobriu,
como um manto acolhedor.
De hoje em diante quero sentir frio,
que me abrace aquela que não quer atirar em mim
e que beije meu coração abalado,
pois de ricochetes ele não vive mais.

Carrego na frente do peito
a felicidade que me protege.
Pendurada pelo pescoço
com o balançar de um pêndulo.
Lembrando-me das horas contadas
de uma harmonia inquestionável
imposta pelo meu ego.
Porém, alertando-me
que o meu sorriso mais puro
pode estar mais perto do que pensei.

De peito aberto
a felicidade me carrega.
Imprudente como deve ser.
Cuidando do meu bem-querer.

Douglas Funny

5 comentários:

Mar e Ana disse...

Palavras fortes :}
é bem interessante como vc consegue colocar uma narraçãozinha dentro do poema, com climax, desfecho e td mais :}
mto bom!

:*

Thaís Velloso disse...

eu adorei seu blog, amo escrever poema/poesia/soneto =DD

Hesílio de Freitas disse...

Caro colega blogueiro, seus versos são belos e fortes. Realmente fala por si próprio.

De certo que os "poemas mal cheirosos" não se encaixam em tal escrita particular. Estão aquém de seus idéias.

Abraço.

a disse...

nossa, que lindo o poema! *-*
tu tens um talento incrivel pra escrever!

Adorei os outros textos também!

Beeeijos #

majv disse...

que poema mais feliz
tô tão acostumado a ler poemas tristes,
tão bonito :D