Já me fiz de difícil para escrever um verso seu
Não sabia como começar
Sabia que não queria acabar
Mal sabia como iria ficar
E ficando eu já não sabia mais
Confundia verde com mel
Uma amiga, uma ficante
Um caso sério quebrado pelas risadas
Dois inamoráveis pelo tempo
E eu, como sempre,
só queria acertar.
Dessa vez,
desacertando acertei
Acertei em ter saudades
quando sua mensagem chegou
Acertei em desistir
dos medos que me prendi
Acertei em mim
ao te conhecer.
Vejo desenhos em você,
o fascínio do seu olhar
Tenho o melhor sorriso que posso ganhar
Emaranhados nos mesmos cabelos
Amarrados na mesma alegria
Faço meu dia quando te vejo,
me desfaço na sua boca
e refaço o que só nós temos.
Falar de amor é bobagem
É rótulo do desconhecido
Clichê dos certos
Mas só dessa vez,
como se diz no seu jeito,
gosto muito de você.
Por outras vezes,
te digo
te amo.
Douglas Funny
Em um começo já iniciado,
sabia sem saber,
que o amor era o bastante.
Apaixonadamente suficiente.
Felicidade fiel.
E tudo o que eu queria,
ela desejava.
Em um depois sem fim,
sem saber já sabia,
que o amor não bastava.
Insuficiente passional.
Felicidade Infiel.
E tudo o que eu não queria,
era que ela desejasse.
Dos sonhos reais,
uma realidade de olhos abertos.
Da minha infância
ficou o sorriso.
E quando o amor me descobre,
o mesmo sorriso cobre
aquilo que sempre soube.
O que mais queria era o desejo de tudo.
Douglas Funny
Gosto de você agora
Não antes
Nem adiante
Agora.
Cedo pra falar do que vem
e tarde pra dizer o que já foi.
Vamos ficar no hoje
Sem se lembrar do ontem,
sem pensar no amanhã,
que tanto preocupam.
Desmemorize nossas histórias.
Escrevemo-las para quem quiser ler.
O que fizemos ou deixamos de fazer
não importa.
Seja leite ou água,
Derramado, passadas
Não choremos mais.
Esqueça o “felizes para sempre”.
Deixamos de viver aqui
tudo que é possível viver lá na frente
Criamos a espera
daquilo que nem sabemos o que é
sonhamos e não fazemos,
fazemos depois,
se fizermos.
Tenha em mente o que vê,
o que é capaz de ser.
Sinta o presente,
se faça presente
e ganhe o presente da vida.
Aprenda a gostar do que tem
aqui e agora.
Sem prazo.
Curto ou longo
só o café que te mantém acordado.
Realizando.
Mudando.
Moldando.
Goste de nós hoje,
pois não somos
e nem seremos
os mesmos.
Douglas Funny
Um breve momento,
antes de mergulhar na selva de concreto,
permito-me um respiro do trânsito
um último olhar para cima
para o céu que queria levar comigo
por não ser o mesmo de onde vivo.
O carro estacionado a beira da estrada
Todas as luzes apagadas
Encostado na natureza adormecida
Sussurrando para mim
Ali, deitado sobre o capo
Pesco estrelas,
uma maior que a outra,
uma mais brilhante que a outra.
Que não cabem no meu porta-malas,
são apenas minhas passageiras.
Em meio à escuridão,
escondido na noite,
observo as luzes brincando
e aguardo sonhos cadentes.
Sem fim me vejo assim,
delírios na imensidão
que não me esforço pra tocar
e sinto como se estivessem dentro de mim.
Elas vivem na selva,
escondidas na noite
a me observar.
Estrelas passageiras
que me beijam ao cair da noite
Ao cair o sono
Ao adormecer, toco-as novamente.
Douglas Funny
O barco rasgava o véu do mar
que se disfarçava de rio
Fortes ventos me abraçaram
Ventos que empurraram o sol mais pra lá
e trouxeram as nuvens para cá,
pintaram o céu de cinza
e escureceram a água,
em um sopro só
Mudavam de direção a cada curva,
carregavam-me junto.
Ali na proa, deitei
e criei o meu sem fim
Fitas coloridas,
presas as cordas do mastro,
eram as minhas estrelas de um céu nublado
daquela quase noite
Eram sacudidas pelos ventos
que cantavam para mim
músicas de um destino à deriva.
O céu se desfez em degradê,
o espelho do mar se perdeu
As luzes já não eram de Marujá
A brisa levou os pescadores,
mas os ventos nunca me deixaram
E assim, ao acaso,
faço e me desfaço por aí.
Douglas Funny
De todos os meus mundos
esse é o que eu mais detesto.
Onde a desistência debruça sobre o meu peito
com o disfarce de sono pesado.
Uma tristeza mascarada me encara
enquanto a depressão estende a corda,
a espera da minha sentença.
Todos os medos sobrevoam o meu corpo,
como corvos atrás da carniça,
somente pelo fascínio de me amedrontar.
Em meu sangue ferve a mais profunda agonia,
de assistir o terror, caçoando de mim,
e as últimas gotas de esperança
são desencorajadas pela verdade.
Apenas o fim é visto no plural.
Alienado pela dor e a sangria do âncora,
desligo a TV.
Douglas Funny
Dos dias que te vi
Dos dias que te toquei
Dos dias que te beijei
Dos dias que tomamos café juntos
almoçamos juntos
e jantamos mais juntos
Dos dias que eu reclamava das panquecas
e você do meu arroz
Dos dias que tomamos chuva
e sonhávamos com um carro
Dos dias que você riu das minhas piadas
por pior que elas fossem
Dos dias que te tirei do sério
Dos dias que brigamos
os mesmos que nos reconciliamos
e os mesmos que brigamos de novo
Dos dias que dormi na sala
Dos dias que dormiu na casa dos pais
Dos dias que eu tinha que ver seus pais
Dos dias que eu te ligava
e deixava você acabar com meus créditos
Dos dias que eu falava do tempo
e você da sua roupa
Dos dias sem palavras
Dos dias da dança
Dos dias do barzinho
Dos dias dos estudos
Dos dias chatos do trabalho
Dos dias dos filmes
e dos filmes de nossos dias
Dos dias da sua Coca-Cola
Dos dias da minha cerveja
Dos dias em preto e branco
Dos dias coloridos
Dos dias que a Tv não ligava
Dos dias que você não ligava
Dos dias que eu desligava
Dos dias que eu prestava atenção
Ou te emprestava
Ou não prestava pra nada
Dos dias demorados sem você
e dos breves ao seu lado
Dos dias que queria estar longe
Dos minutos suficientes
Das horas sofridas
Do dia-a-dia
De desejos e incertezas
Da certeza de um desejo
Dos dias que te amei
e que me amou também
Dos dias que abri os olhos pra te ver
Dos dias que fecho os olhos pra te ter.
Douglas Funny